Como o processo de formação e erupção dentária é complexo e começa na vida embrionária, medidas de prevenção devem ser instituídas mesmo antes do nascimento do bebé. Durante a gestação, os pais devem ser instruídos e incluídos em um programa de Odontologia preventiva que enfatize a importância de adquirir bons hábitos de alimentação e de higiene Oral e como esses hábitos favorecerão a saúde oral de seus filhos.
Durante a amamentação, recomenda-se aos pais higienizar a cavidade bucal do bebé assim que nascer o primeiro dente, utilizando dedeiras especiais, escovas dentárias para bebés ou então, gaze humedecida. Em muitas crianças, a erupção dos dentes decíduos é precedida pelo aumento da salivação e irritabilidade durante o dia. Nesta época, a criança pode intensificar o hábito de chupar o dedo ou de friccionar a gengiva, perder o apetite ou apresentar alterações gengivais.
Com a erupção de mais dentes, os pais devem passar a fazer uso da escova dentária e pasta dentífrica apropriada para higienizar a cavidade oral dos seus filhos, após as refeições, começando numa área determinada da boca e prosseguindo de forma ordenada até remover a placa bacteriana, sempre motivando as crianças a participarem deste processo.
As pastas dentífricas dos bebés e das crianças até aos 7 anos não são iguais à dos adultos, deverão ter gosto menos forte com aromas agradáveis e quantidade de flúor adequada; até aos dois anos não deverão ter mais de 250 ppm (partes por milhão) de flúor, verificar sempre no verso da embalagem, pois a criança engole a pasta e o flúor em excesso é prejudicial à formação dentária; dos 2 aos 7 anos, a quantidade de flúor deverá ser menor que 500 ppm de flúor; dos 7 aos 12 anos poderá ir até 1500 ppm de flúor, que é, geralmente a quantidade máxima de flúor das pastas dentífricas vendidas nas grandes superfícies.
Um dos processos de motivar as crianças à escovagem dentária é lavar os nossos dentes com a criança ao colo deixando-a, se ela quiser, pegar na escova e nos ajudar a lavar os nossos dentes, deste modo, irão querer nos imitar e nos deixar lavar os seus dentes.
Embora as crianças desenvolvam a habilidade motora necessária para utilizar a escova dentária, é indispensável que os pais supervisionem esta actividade e assumam a responsabilidade de escovar os dentes de seus filhos. À medida que a criança adquire destreza manual, essa responsabilidade pode ser transferida para os filhos, mas enquanto o Médico Dentista não observe esta habilidade na criança, essa tarefa deverá ser executada por um adulto.
O profissional deve instruir aos pais sobre os métodos de escovagem dentária, sobre as técnicas para o uso do fio dental e sobre o uso do flúor e dos agentes reveladores de placa bacteriana. Desta forma, quando a criança tentar a remoção da placa, os pais podem promover a aprendizagem pelo uso de substâncias reveladoras, mostrando à criança as áreas em que é preciso melhorar a higiene oral.
Está "...certamente está nas mãos dos pais prevenir a cárie nas crianças: a experiência ensinará a sua utilidade, o hábito tornar-se-á natural e os pais sentir-se-ão enormemente recompensados, apesar de todo o trabalho" (SANOUDOS; CHRISTEN, 1999).
Contudo, o sucesso destes programas de prevenção está intimamente relacionado à atitude da equipe odontológica que propicia um ambiente agradável tanto para as crianças quanto para os pais e demonstra interesse e respeito pela autonomia e individualidade do grupo familiar.